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Resumos de teses

É relatado que a seção de tese está disponível, para publicar resumos de teses de pós-graduação no campo disciplinar. Quem enviar sua tese, deve apresentar o título, o resumo, as palavras-chave (incluindo Terapia Ocupacional) e um resumo de 2 a 3 páginas da sua tese. E `apresente em espanhol, inglês e / ou português.

Repertório ocupacional infantil:

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Resumo

As ocupações estruturam o cotidiano, conferem significado à vida e moldam a trajetória de indivíduos e coletivos, exercendo um papel fundamental na dinâmica dos processos sociais, econômicos e políticos. No entanto, considerando que a desigualdade social provoca impactos na infância, tais como a diminuição de oportunidades ocupacionais, o objetivo geral deste estudo foi o de investigar o impacto da condição socioeconômica na construção do repertório ocupacional de crianças em diferentes contextos de vida. Os objetivos específicos corresponderam a: a) mapear e comparar o repertório ocupacional de crianças de diferentes condições socioeconômicas, com base nos relatos dos cuidadores e das próprias crianças, analisando quais são as oportunidades ocupacionais disponíveis em contextos de maior e de menor privilégio socioeconômico; b) e compreender a percepção dos cuidadores sobre o impacto da condição socioeconômica na vida ocupacional das crianças, examinando como o contexto molda essas experiências. Quanto ao percurso metodológico, trata-se de uma pesquisa quantiqualitativa, com aplicação de entrevista semiestruturada e do instrumento Checklist Intersetorial de Detecção de Risco ao Desenvolvimento Infantil (CIDRDI) com os cuidadores, e do instrumento Paediatric Activity Card Sort (PACS) com crianças de 5 a 14 anos. Participaram 35 famílias vinculadas a uma instituição educacional e a Unidades Básicas de Saúde de São Caetano do Sul/SP e Santo André/SP, Brasil. Os dados foram analisados por estatística descritiva do CIDRDI, por estatística inferencial do PACS e por Análise Temática das entrevistas. Nos resultados da análise estatística do PACS observou-se que não houve diferenças significativas no perfil ocupacional das crianças dos dois grupos, e a maioria pontuou “baixo risco” ao desenvolvimento infantil no CIDRDI. No entanto, a análise temática das entrevistas revelou cinco temas cruciais que permeiam a pluralidade de infâncias do estudo e atravessam as ocupações infantis, englobando: (01) as políticas públicas para a infância; (02) as áreas de ocupação urbana como possibilidade de acesso à moradia; (03) o Programa Bolsa Família: entre a subsistência e a subjugação na trama capitalista; (04) as nuances da presença do crime organizado como parte dos espaços das infâncias, (05) entre barreiras e possibilidades: interseccionalidade nas dinâmicas ocupacionais infantis; e como desfecho, o Bem Viver como um novo sentido para as infâncias e para as ocupações humanas. Como considerações finais, destaca-se que a produção teórica e as interpretações tecidas nesta pesquisa a partir das narrativas de vida dos participantes tiveram como propósito apontar questões relacionadas à construção do repertório ocupacional infantil em um cenário de desigualdade social, compreendendo em que medida as oportunidades ocupacionais estão presentes em infâncias tão plurais. O estudo reafirma que aspectos como a privação alimentar, a precariedade habitacional, as dificuldades no acesso às políticas públicas, a violência das organizações criminosas, a omissão do Estado, e outros fatores ligados à interseccionalidade que resultam em opressões e exclusão, atingem mais diretamente pessoas em situação de vulnerabilidade social, negando a autonomia em suas escolhas e oportunidades ocupacionais e perpetuando o apartheid ocupacional. E que o Bem Viver seria uma alternativa viável para que as crianças tenham oportunidades significativas para a construção do seu repertório ocupacional. Palavras-chaves: repertório ocupacional infantil; desigualdade social; opressões; Terapia Ocupacional.

Biografia do Autor

Carina Sousa Elias, UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)

Graduação em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2008. Habilitação no Programa Son-Rise para crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (2011). Especialização em Terapia Ocupacional em Saúde Mental pela Faculdade de Ciências e da Saúde (FACIS) em 2012. Habilitação no Conceito Neuroevolutivo Bobath para o tratamento de pessoas com alterações neurológicas (2012). Mestrado e Doutorado em Terapia Ocupacional pelo PPGTO (Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional) da UFSCar de 2020 a 2025.